15.1.12

CURIOSIDADES DA LÍNGUA PORTUGUESA
(2ª edição)


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Augusto Domingues Alves
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(01)
No primeiro dia de trabalho (?), de 2012, da Assembleia da República, um deputado dirigiu-se ao Primeiro-Ministro nestes termos:
“…VOSSA EXCELÊNCIA É CONHECEDORA DESTA SITUAÇÃO…”
Ora, como vem sendo hábito também na Assembleia da República, a Língua Portuguesa foi assim vilipendiada. Se não, vejamos:
A Gramática Portuguesa ensina que - na concordância do predicativo do sujeito com o sujeito – “quando o sujeito é uma expressão de tratamento (Vossa Excelência, Vossa Senhoria, etc.) o predicativo concorda com a pessoa a quem se destina esse tratamento”:
Vossa Excelência é conhecedor (se for homem) ou conhecedora, (se for mulher) desta situação. E isto porque, analisando sintacticamente aquela frase, encontramos como sujeito: Vossa Excelência e, como nome predicativo do sujeito: conhecedor
Mas aproveitemos o ensejo para ver tudo o que se passa, gramaticalmente, com a “concordância do predicativo do sujeito com o sujeito”:
-quando o predicativo do sujeito é um substantivo, concorda com o sujeito em número (e em género, caso o predicativo seja um substantivo flexional em género):
O trabalho e o esforço são exigências para todo o ser humano. O Diogo e o Afonso são campeões.
-quando o predicativo do sujeito é um adjectivo, se o sujeito for simples, concorda com ele em número e género:
A árvore é frondosa. Eles parecem simpáticos e bem-educados.
-quando o predicativo do sujeito é um adjectivo, se o sujeito for composto, e os elementos do sujeito forem do mesmo género, o predicativo vai para o plural e para o género dos elementos do sujeito:
A Constança e a Carolina estavam felicíssimas. O casaco e o vestido são pretos.
-quando o predicativo do sujeito é um adjectivo, se o sujeito for composto e os elementos do sujeito forem de géneros diferentes, o predicativo do sujeito concorda com o elemento do sujeito mais próximo, quando o verbo está no singular; quando o verbo está no plural, o predicativo vai para o plural masculino:
É sempre necessária força e jeito. Força e jeito são sempre necessários.
-quando o sujeito é um infinitivo, o predicativo do sujeito usa-se no masculino singular:
É maravilhoso ouvir a Alexandra e o Nuno a cantarem.

Como se pronuncia SENIORES?
O jornalista e locutor da RTP, José Rodrigues dos Santos – principescamente pago pelos contribuintes deste País (e autor de livros diversos… escritos a seu jeito!) não está isento de pecados gramaticais contra a Língua Portuguesa.
Com efeito, ao referir-se aos jogadores de uma equipa de futebol, pronunciou SÉNIORES (com a sílaba tónica em SÉ). Errou o Sr. Zé!
E Pedro Mourinho, da SIC, vai na onda dos disparates: também se engana, (ou não sabe!)
Deve pronunciar-se SENIÓRES (com a sílaba tónica Ó) porque as palavras, em Português correcto, são, quanto à acentuação, agudas, graves ou esdrúxulas, isto é, a sílaba tónica é a última, a penúltima ou a antepenúltima, respectivamente. Não existem palavras com sílaba tónica para além da terceira sílaba a contar do fim! Logo: Sénior, no singular! E seniores (com sílaba tónica na penúltima sílaba – O aberto mas sem acento, porque sendo uma palavra grave, não terminada em l, n, r, x ou z, não é acentuada. Quem alimentar dúvidas, poderá interpelar o VÍTOR MANUEL, que é dos poucos treinadores a pronunciar correctamente a palavra em apreço. (Será porque foi distinto treinador de equipas dos estudantes; a Associação Académica de Coimbra/OAF?

“TENTAM O POSSÍVEL POR FAZEREM O MELHOR”?
Que bom seria se os responsáveis deste País (e somos todos – uns mais que outros!) nos preocupássemos em investir algum esforço no sentido de não agredir a Gramática da Língua Portuguesa!
Aos menos privilegiados, àqueles que não puderam aceder à cultura, perdoai-lhes, ó Deus! Mas àqueles que lograram viver no pólo oposto e vivem agora com altos cargos públicos e alimentados pelos contribuintes, não lhes perdoeis, Senhor, as agressões e os crimes que perpetram conta a Língua Portuguesa! Como o ministro que dizia, recentemente: “todos os membros do governo tentam o possível por fazerem o melhor”, surgem no dia a dia, responsáveis a cometer publicamente violações daquilo que este País tem (ou tinha?) de mais sagrado: a Língua Portuguesa!
Naquela frase, o sujeito dos verbos “tentar” e “fazer” é o mesmo: “eles”, aqui subentendido. Neste caso, a Gramática ensina que não deve usar-se o infinitivo pessoal. Logo, a forma correcta será; “tentam o possível por FAZER o melhor”.
Bom! A menos que o senhor ministro estivesse a pensar que os membros do governo tentam o possível por os simples cidadãos fazerem o melhor! Assim, sendo diferente os sujeitos dos dois verbos, a forma estaria correcta! (Se calhar, é mesmo esse o pensamento e a prática dos políticos deste País!...)
Pais natais? NÃO!
Pais Natal! SIM!
De forma contida, expresso aqui a minha indignação resultante da afronta cometida pela Senhora Doutora Sandra Duarte (conhecida Linguista) numa das suas televisivas “lições de português”, ao ensinar (MAL!) que o plural de “pai natal” é “pais natais”. Não é não, “Sutora”! No plural, em português correcto, deve dizer-se e escrever-se “PAIS NATAL”. E sabe porquê, sutora”?
Veja comigo o que consta do “Grande Dicionário da Língua Portuguesa”: “Pai Natal, s. m. personagem representada por um velho de barbas brancas e roupas vermelhas , que, no Natal, supostamente distribui presentes pelas crianças”. E abra agora o “Prontuário Ortográfico e Guia da Língua Portuguesa”, de Magnus Bergstrom e Neves Reis, ou a “Nova Gramática do Português Contemporâneo”, de Celso Cunha e Lindley Cintra. A “sutora” ficará a saber como se respeita a Língua Portuguesa e não mais deixará de ensinar: “PAIS NATAL!
“Nos compostos formados por dois nomes, em que o segundo elemento tem uma função adjectival só o primeiro elemento vai para o plural: escolas modelo, palavras-chave, pais natal, projectos-piloto, etc…
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(02)

MÓBEIS ou MÓBILES?
Ao referir-se às motivações que levam o indivíduo à prática de crimes horrendos, palrava o Doutor na TVI no programa apresentado pela cacarejante Cristina Ferreira e pelo Luís Goucha: “nós nunca sabemos exactamente os móbeis intrínsecos a uma pessoa que é capaz de cometer tais atrocidades…”
Bom! Se nos situássemos no Porto (= norte do País) – onde o v é pronunciado b - seríamos levados a pensar que aquele doutor imaginaria qualquer cama, cadeira, banco ou mesa, dentro do criminoso!!!! Mas é óbvio que não! A cultura do catedrático não esbarra no campo físico (da Física) nem no campo metafísico. Trata-se sim do desconhecimento das regras gramaticais da Língua Portuguesa e/ou das suas excepções. Repetimos: desconhecimento e não mero lapso linguístico. Com efeito, o catedrático (que já leccionou numa das universidades que pululavam neste País) insistiu no erro (móbeis) vezes várias durante a sua gongórica argumentação.
Para não corrermos o risco de seguir este mau exemplo catedrático, tenhamos em conta que:
1.Regra geral, os nomes terminados em –al, -el, -ol, -ul formam o plural em –is: sinal/sinais; papel/papéis; lençol/lençóis; paul/pauis. Exceptuam-se as palavras: mal, real (moeda), cônsul e seus derivados que fazem, respectivamente, males, réis, cônsules e, por este, procônsules, vice-cônsules.
2. Os substantivos oxítonos, - agudos, isto é, aqueles cuja sílaba tónica é a última -, terminados em il mudam o L em S. Exemplos: funil/funis, covil/covis.
3. Os substantivos paroxítonos, - graves, isto é, aqueles cuja sílaba tónica é a penúltima – terminados em IL, substituem esta terminação por EIS. Exemplos: Fóssil/fósseis; réptil/répteis. Excepção: MÓBIL/MÓBILES.

IÓGA? Ou IÔGA?
Campeia por ai, sobretudo a nível de profissionais “pseudo-intelectuais” (de formação académica duvidosa) a tendência para modificar o que é linguisticamente correcto, e, assim, por ignorância, sede de protagonismo, ou desonestidade, alteram, a seu bel-prazer, a pronúncia consagrada nas gramáticas e Dicionários da Língua Portuguesa.
IÓGA (com Ó aberto) se deve pronunciar, e não iôga, com ô fechado. Pronúncia postulada pela origem da palavra, o sânscrito. E também não ônus e sim Ónus, pronúncia que postula a origem latina da palavra (onus, oneris, em que é longa a sílaba O – não acentuada graficamente por força das regras específicas do Latim)

COLONOSCOPIA? Ou COLOSCOPIA?
Nas áreas ligadas à Saúde, é frequente ouvir e ver ora uma ora outra forma. E ainda bem! Com efeito, documentam-se ambas.
Não vale é a defesa intransigente de uma única maneira de escrever! Escrever colonoscopia está correcto. Coloscopia também. Sendo que a forma colonoscopia se aproxima mais da origem: cólon+scopia; enquanto coloscopia é já o resultado da lei do menor esforço - que impera muitas vezes também na formação das palavras – com a queda (síncope) dos fonemas n, o. Talvez por isso, o “Grande Dicionário da Língua Portuguesa – Porto Editora” documenta o termo coloscopia, sem o definir, remetendo o leitor para o vocábulo COLONOSCOPIA, cujo significado aí se encontra explanado.

DIVEDE ou DIVIDE?
Todo o mundo sabe que a única forma correcta é DIVIDE.
Bem, “todo o mundo” … é exagero! Há excepção à regra! A cacarejante Cristina Ferreira, apresentadora da TVI, confirma a regra de haver excepção à regra! Berrava ela na apresentação de um programa televisivo: “o (… ) concorrente, vai trazer bebidas especiais… e DIVEDE- as por todos”.
Pois é! Devia levar um puxão de orelhas a Cristina! Mas quem lhe paga e quem lhe dá ouvidos merecia não ficar impune…

Como se pronuncia ZÊZERE?
O ainda Presidente da República, Cavaco Silva, meteu água, há dias (outra vez!!!!!). Ao enaltecer as potencialidades da água e dos terrenos que ladeiam aquele rio, o Presidente pronunciou, repetindo-se, Zézere, como se aquele “E” acentuado, o primeiro, tivesse acento agudo - ´- . Ora, escrevendo-se ZÊZERE, com acento circunflexo, a pronúncia daquele fonema “Ê” só pode ser pronunciado fechado. Foi um pecado venial apenas, pensar-se-á. Mas convenhamos que na boca de um Presidente da República aquela ofensa às boas regras da Gramática da Língua Portuguesa tem de classificar-se como pecado grave, mortal.
A “Nova Gramática do Português Contemporâneo”, de Celso Cunha e de Lindley Cintra, ensina:
“No português-padrão de Portugal as palavras proparoxítonas (esdrúxulas), que têm na antepenúltima sílaba, as vogais a, e, o , podem ser semifechas ou semiabertas, pelo que a ortografia em vigor manda que se lhes ponha acento circunflexo, se são semifechadas, e acento agudo, se semiabertas.
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(03)
APRESENTAMOS UM PEDIDO DE DESCULPAS OU APRESENTAMOS AS NOSSAS DESCULPAS?
Como mandam o bom senso e as regras da boa educação, nós apresentamos o nosso pedido de desculpas pelo engano cometido. Quem erra, quem se engana, quem ofende, não tem direito a desculpar outrem, a apresentar desculpas a quem quer que seja! Deve, isso sim, apresentar PEDIDO de desculpas. Nesta conformidade, queiram desculpar-me, por favor; aceitem o meu pedido de desculpas pelo lapso cometido; apresento-vos o meu pedido de desculpas.

LUIS JARDIM, presidente do júri do concurso “ A tua cara não me é estranha” ao comentar a actuação de um dos concorrentes opinou assim:…”ele MANTEU o nível manifestado nos ensaios…”
Nem o facto de ter “vivido muitos anos em Londres” justifica tal pontapé na Gramática Portuguesa. Ali, Luís Jardim falava num programa em Língua Portuguesa, numa televisão portuguesa, com a responsabilidade acrescida de presidente de um júri português. E não consta que se tenha penitenciado do mau exemplo: é que MANTEVE o disparate em comentários seguintes.
Falemos de PONTUAÇÃO:
Os sinais de pontuação servem para tornar clara e expressiva a língua escrita, uma vez que esta não dispõe dos recursos da língua falada, como as pausas ou a entoação, recursos esses que de algum modo a pontuação deverá representar, pelo menos de forma aproximada. Um uso adequado da pontuação é fundamental, dado que feita de forma incorrecta pode levar a uma interpretação diferente da pretendida.
Sirva de exemplo a seguinte frase:
“Um caçador tinha um cão e a mãe do caçador era também o pai do cão”.
Como se vê, é manifesta a confusão! Porém, basta recorrer ao uso de um “ponto e vírgula” no lugar certo e a expressão torna-se, sem mais, correcta, inteligível.
Veja-se a diferença:
“Um caçador tinha um cão e a mãe; do caçador era também o pai do cão”
Sendo vários os sinais de pontuação, explicitamos hoje o uso da “vírgula” (e não “vírula” como amiúde se ouve por aí!)
A vírgula marca uma pausa curta. Emprega-se para separar determinados elementos dentro de uma oração ou orações dentro de um mesmo período.
Apesar de não ser absolutamente uniforme a utilização da vírgula, há, no entanto, algumas regras que devem respeitar-se de forma a assegurar uma interpretação correcta.
01)O sujeito nunca deve ser separado do predicado por uma vírgula: Os alunos estudam as lições.
02)O verbo e o complemento directo nunca são separados por uma vírgula: Os alunos estudam as lições.
03)Separam-se por vírgula os elementos da oração que têm idêntica função sintáctica, quando não estão ligados por conjunção: o Afonso comprou uma caneta, um lápis, um livro e um caderno.
04)O vocativo é isolado por vírgula: Filha, o teu trabalho está bem feito!
05)O aposto é isolado por vírgula: João, o filho mais velho, é alto!
06)Coloca-se a vírgula depois de “não” e “sim” quando estes advérbios, em princípio de oração, se referem a uma oração anterior (como acontece, por exemplo, nas respostas): Não, ele nunca faria isso. Sim, acho que tens razão.
07)Colocam-se entre vírgulas palavras ou frases intercaladas numa oração cujas construções e sentidos se apresentam independentes da intercalada: O presidente, diz-se, vai pedir a demissão.
08)Separam-se geralmente por vírgula as orações coordenadas introduzidas por: mas, nem, ou, logo, porém, portanto; obrigatoriamente as que não são ligadas por uma conjunção: Não era muito inteligente, mas conseguia bons resultados nos estudos; Passeámos, divertimo-nos, jantámos fora.
09)A vírgula usa-se para isolar as orações relativas explicativas ou apositivas: “A Paula e a Alexandra, que vivem na mesma cidade, foram jantar juntas”.Note-se que as orações restritivas, ao contrário das explicativas, não podem nunca colocar-se entre vírgulas:” O indivíduo que me assaltou o carro deve ter ficado ferido”
10)Separam-se em geral por vírgula as orações subordinadas adverbiais, em especial quando ocorrem no início do período: Assim que chegares a casa, telefona ao teu pai.
11)Separam-se com vírgula algumas expressões com gerúndio ou particípio passado que equivalem a orações: A Joana, estando cada vez mais distraída, esquece-se de tudo.
12)A vírgula usa-se também para separar o nome do lugar, quando se data um escrito: Coimbra, 14 de Março de 2012.
13)Costuma separar-se por vírgula ou, em alternativa, por dois pontos, ou ponto o vocativo com que se iniciam cartas, requerimentos, ofícios, etc.: “Caro Amigo”.
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(04)
Na apresentação de um dos Grupos Corais que actuaram no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, no concerto de homenagem ao Maestro Lopes Graça, a respectiva Maestrina explicou:…”vamos interpretar um poema d’A POETA Florbela Espanca”.
Alguns dos presentes sorriram, segredaran entre si naturalmente a propósito daquela originalidade. O sorriso deu lugar ao espanto e indignação quando a senhora maestrina persistiu no pontapé linguístico e espontaneamente, justificou-se assim: “Hoje, tanto se pode empregar poeta como poetisa para designar o feminino do substantivo masculino POETA”. A assistência presente nem tugiu nem mugiu indignada com tal desfaçatez e ansiosa por saborear a letra e a música do poema referenciado.
Convenhamos, porém, que não é verdadeiro o argumento invocado para justificar o uso de “poeta” em vez de “poetisa” no caso vertente.
Com efeito, todos os gramáticos ensinam que os substantivos que designam títulos de nobreza e dignidades formam o feminino com as terminações –esa, -essa e -isa (duque/duquesa, conde/condessa, profeta/profetisa, poeta/poetisa).

Aproveitemos o ensejo e examinemos a formação do feminino dos substantivos da nossa língua.
São dois os processos de formação do feminino:
a) A formação completamente diversa da do masculino, ou seja, proveniente de um radical distinto: bode/cabra; homem/mulher; genro/nora; marido/mulher; frei/sóror; cavalheiro/dama; pai/mãe; zângão/abelha; macho/fêmea…….
b) A formação derivada do radical do masculino, mediante a substituição ou o acréscimo de desinências: aluno/aluna; cantor/cantora; galo/galinha; lebrão/lebre; cidadão/cidadã.
Neste processo de formação pontuam as seguintes regras gerais:
1ª - Os substantivos terminados em -0 átono formam normalmente o feminino substituindo essa desinência por –a: gato/gata; pombo/pomba; lobo/loba….
Observe-se, contudo, que há um pequeno número de substantivos terminados em –o átono, que, no feminino, substituem essa final por desinências especiais. Assim: diácono/diaconisa; maestro/maestrina; silfo/sílfide; galo/galinha.
2ª - Os substantivos terminados em consoante formam normalmente o feminino com o acréscimo da desinência –a. Exemplos: camponês/camponesa; leitor/leitora;
Para além das regras gerais existem as regras especiais, a saber:
1ª) os substantivos terminados em –ão podem formar o feminino de três maneiras: a) mudando a final –ão em oa: ermitão/ermitoa; hortelão/horteloa; leitão/leitoa; patrão/patroa.. b) mudando a final –ão em –ã: aldeão/aldeã; castelão/castelã; cirurgião/cirurgiã…c) mudando a final –ão em ona: comilão/comilona; moleirão/moleirona; pobretão/pobretona...
*****

Seis observações ao que vem de ser dito: 1ª Os substantivos que fazem o feminino em –ona são ou aumentativos ou adjectivos substantivados. 2ª Além dos anómalos cão e zângão, (com o feminino cadela e abelha, respectivamente) não seguem estes três processos de formação os substantivos seguintes: barão/baronesa; ladrão/ladra; lebrão/lebre; maganão/magana; perdigão/perdiz; sultão/sultana. 3ª Os substantivos terminados em –or formam normalmente o feminino com o acréscimo da desinência –a: pastor/pastora; remador/remadora…Alguns, porém, fazem o feminino em –eira: Assim: cantador/cantadeira; cerzidor/cerzideira. Outros, dentre os finalizados em –dor e –tor, mudam estas terminações em –triz: actor/actriz, imperador/imperatriz. (De embaixador há, convencionalmente, dois femininos: embaixatriz (a esposa do embaixador) e embaixadora (a funcionária chefe de embaixada) ). 4ª Certos substantivos que designam títulos de nobreza e dignidades formam o feminino com as terminações –esa, -essa, e –isa: abade/abadessa; barão/baronesa; diácono/diaconisa; sacerdote/sacerdotisa. 5ª Os substantivos terminados em –e são geralmente uniformes. Há, porém, um pequeno número que troca o –e por –a. Assim: elefante/elefanta; governante/governanta; infante/infanta; mestre/mestra; monge/monja; parente/parenta. 6ª São dignos de nota os femininos dos seguintes substantivos: avô/avó; cônsul/consulesa; czar/czarina; felá/felaína; frade/freira; grou/grua; herói/heroína; jogral/jogralesa; maestro/maestrina; piton/pitonisa; poeta/poetisa; profeta/profetisa; rajá/râni; rapaz/rapariga; rei/rainha; réu/ré.
Vem agora à colação referir os substantivos epicenos, os sobrecomuns e os comuns de dois:
Denominam-se epicenos os nomes de animais que possuem um só género gramatical para designar um e outro sexo. Assim: a águia, a baleia, a borboleta, a cobra, a mosca, a onça, a pulga, a sardinha, o besouro, o condor, o crocodilo, o gavião, o polvo, o rouxinol, o tatu, o tigre.
Quando há necessidade de especificar o sexo do animal, juntam-se então ao substantivo as palavras macho ou fêmea: crocodilo macho/crocodilo fêmea; o macho ou a fêmea do jacaré.
Chama-se sobrecomuns os substantivos que têm um só género gramatical para designar pessoas de ambos os sexos. Assim: o algoz, o apóstolo, o carrasco, o cônjuge, o indivíduo, o verdugo, a criança, a pessoa, a testemunha, a vítima.
Neste caso, querendo discriminar-se o sexo, diz-se, por exemplo: o cônjuge feminino uma pessoa do sexo masculino.
São designados comuns de dois géneros os substantivos que apresentam uma só forma para os dois géneros, mas distinguem o masculino do feminino pelo género do artigo ou de outro determinativo. Alguns exemplos: o agente/a agente, o cliente/a cliente, o estudante/a estudante, o gerente/a gerente, o imigrante/a imigrante, o jornalista/a jornalista, o presidente/a presidente, o suicida/a suicida.
Todos os substantivos ou adjectivos substantivados terminados em –ista são comuns de dois géneros: o pianista/a pianista, um anarquista/uma anarquista.
Diz-se, indiferentemente, o personagem ou a personagem com referência ao protagonista homem ou mulher.
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“Encontrava se em Espanha um dos presos que se evadiu da Penitenciária de Coimbra…” assim noticiava o jornalista Hélder da RTP – (Mais um, pago por nós a peso de ouro!!!)
O jornalista não sabe que deve dizer-se: “Encontrava-se em Espanha um dos presos que se evadiram da Penitenciária de Coimbra”. O verbo não pode encontrar-se no singular porque o sujeito daquela oração gramatical é “que” referido a presos! (E não referido a UM) …
”Não lhe perdoeis, Senhor, porque ele devia saber o que diz”
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(05)
DA QUALIDADE LINGUÍSTICA

O uso da Língua Portuguesa deve ter em conta as características que asseguram a sua qualidade. Apontemo-las:
1. Correcção: rigor.
2. Clareza: precisão, ordem, propriedade.
3. Harmonia: elegância.
4. Pureza: vernaculidade.

Debrucemo-nos sobre a correcção:
O princípio em que assenta a correcção da linguagem é o do rigor. A correcção obtém-se quando o uso da Língua obedece às regras gramaticais dessa mesma Língua. A correcção é um dos pilares da clareza. Sem correcção não há clareza.
Vícios que prejudicam a correcção da linguagem:

a) Erros de concordância: (As regras gramaticais da concordância não são respeitadas):
Não:
Fazem cinco anos que; Houveram muitos acidentes; Existe muitas esperanças; Aluga-se casas; Precisam-se de operários; Procura-se empregados; Tratam-se dos melhores profissionais; Não passavam das oito da manhã quando…; Obrigado. – disse a rapariga;
Meia louca;
Sim:
Faz cinco anos que…; Houve muitos acidentes; Existem muitas esperanças; Alugam-se casas; Precisa-se de operários; Procuram-se empregados; Trata-se dos melhores profissionais; Não passava das oito da manhã quando…; Obrigada - disse a rapariga;
Meio louca.

b) Erros de regência (Desrespeito da norma de conexão a que uma palavra sujeita outra com que se articula.)
Não:
Não sabiam aonde ele estava: Não tem nada haver; Ficou sobre a mira do chefe.
Sim:
Não sabiam onde ele estava; não tem nada a ver; Ficou sob a mira do chefe.

c) Erros de construção, formação, flexão (incorrecções de ordem morfológica e sintáctica)
Não:
Mau-humorado; Mau-intencionado; Não viu qualquer risco; Inaugura amanhã a exposição de; A festa que relizou-se…; O rapaz interviu; Cerca de 18 pessoas; Ficou contente por causa que ninguém se feriu; Pensa-se isso mas não se o diz; A abordagem onde melhor se evidencia; Ao meu ver; Entre eu e ele; Há-des cá voltar; Este homem e mulher; Meu pai e mãe;..
Sim:
Mal-humorado; Mal-intencionado; Não viu nenhum risco; Inaugura-se amanhã a exposição de…; A festa que se realizou…; O rapaz interveio; Cerca de 20 pessoas; Ficou contente porque ninguém se feriu; Pensa-se isso, mas não se faz isso; A abordagem em que melhor se evidencia…; A meu ver; Entre mim e ele; Hás-de cá voltar; Este homem e esta mulher; Meu pai e minha mãe.

d) Erros lexicais.
Confusão entre palavras parónimas (uso indiscriminado de palavras com escrita e pronúncia semelhantes, mas com significados diferentes)
Não:
O modelo pousou; A corrente pluvial junto à foz… É preciso pagar a tacha; Fui levantar o cheque.
Sim:
O modelo posou; A corrente fluvial junto à foz; É preciso pagar a taxa; Fui levantar o cheque

e) Sinónimos imperfeitos. (Redução do uso de palavras com significado específico pelo abuso do conceito de sinónimo)
Não:
Com grande clareza, apresentou, acerca daquele tema, um pensamento muito complicado;
A situação era complicada, porque não tinha os meios suficientes para a resolver. Tratava-se de uma construção complicada, mas em que eram claramente visíveis os elementos que a constituíam.
Ensinar crianças é uma tarefa muito complicada.
Ver o amigo indefeso ser agredido foi o momento mais complicado da sua vida.
Foi complicado subir aquela encosta tão íngreme.
Viajar de avião, nos tempos que correm, é complicado.
Sim:
Com grande clareza, apresentou, acerca daquele tema, um pensamento muito denso.
A situação era difícil, porque não tinha os meios suficientes para a resolver.
Tratava-se de uma construção complexa, mas em que eram claramente visíveis os elementos que a constituíam.
Ensinar crianças é uma tarefa muito trabalhosa.
Ver o amigo indefeso ser agredido foi o momento mais aflitivo da sua vida.
Foi custoso subir aquela encosta tão íngreme.
Viajar de avião, nos tempos que correm, é perigoso.
Acabou por optar pelo método mais complicado de resolver o problema = Acabou por optar pelo método menos simples de resolver o problema

f) Palavras para todas as ocasiões:
Não:
A coisa (acontecimento) deu-se no fim da semana passada; há uma coisa (assunto) de que ainda não te falei; esta máquina é constituída por várias coisas (peças); conta-me lá essa coisa (história); estudem bem esta coisa (matéria); em cima da mesa está uma coisa (objecto); tu tens mais coisas (bens materiais) do que eu; fizeste uma coisa (acção) que nunca deverias ter feito…